
I
O que representa, para nós, nacionalistas, o conceito de FAMÍLIA ?
A FAMÍLIA é o agregado base da sociedade humana, célula social geradora da Pátria, sem a qual esta não subsiste. Provaremos, adiante, que assim é e que assim deverá continuar a ser, sob pena de desagregação social e desaparecimento da Nação.
O Nacionalismo, enquanto ideologia ou, se quisermos, filosofia social, assenta em pilares de pensamento, aceites como Princípios, daí partindo para uma explicação global da Sociedade e de cada uma das manifestações desta.
A FAMÍLIA é um desses pilares, por ser UM DOS AGREGADOS HUMANOS NATURAIS. TODOS PERTENCEMOS A UMA FAMÍLIA, mesmo que, modernamente, esta situação tenda a abastardar-se.
II
A existência da FAMÍLIA perde-se na noite dos tempos. As mais primitivas sociedades, a par do culto dos antepassados, festejavam a constituição das famílias, já que estas eram garantia da continuidade da espécie e do fortalecimento do agregado (tribo, clã, etc.).
Em todas as civilizações foi incentivada e protegida. Os Gregos defendiam a inextinguibilidade do LAR DOMÉSTICO e do CULTO FAMILIAR. Para os Gregos, a FAMÍLIA era parte constituinte de uma CIDADE, enquadrada, embora, num GENO ou CLÃ – que, por sua vez, originava a FATRIA e esta a TRIBO. Estes enquadramentos tinham importância económica e militar, como facilmente se compreende.
Os Romanos consideravam a FAMÍLIA um dos ramos de uma GENTE (conjunto de pessoas que usa o mesmo nome gentílico e se considera descendente de um antepassado comum), as quais se distinguiam, entre si, pela adopção de cognomes. As GENTES romanas tinham hábitos jurídicos e ritos culturais próprios, embora muitas vezes celebrassem, entre si, diversas alianças, constituindo, assim, um agregado humano mais alargado – por razões económicas, mas, sobretudo de defesa – do tipo ALDEIA. Ao longo do tempo a FAMÍLIA romana evolui de tal forma que, já na época de Cícero, se assemelha extraordinariamente à FAMÍLIA moderna.
III
Embora generalizado, o conceito de FAMÍLIA tem, todavia, características de CLASSE. Especialmente a partir de determinada etapa civilizacional, por força da evolução social, o direito à constituição da FAMÍLIA circunscreve-se aos CIDADÃOS. Aos escravos, por exemplo, tal direito não era reconhecido. O escravo só interessava como força produtiva e é indiferente que a sua prole – que interessa numerosa – tenha origem promíscua.
De facto, a preocupação pela FAMÍLIA é característica SENHORIAL, isto é, É TÃO MAIS IMPORTANTE QUANTO MAIOR É O PODER E A RIQUEZA. Atente-se, por exemplo, na preocupação sucessória das famílias reinantes e no hábito institucionalizado dos casamentos entre parentes. Poderemos, até, considerar que a conquista do direito à FAMÍLIA pelas classes mais baixas da Sociedade é a MAIS IMPORTANTE CONQUISTA SOCIAL da História, por arrastar consigo o direito de HERANÇA – que resulta do direito de POSSE.
Esta característica é perfeitamente evidente nas comunidades rurais, se não ainda hoje, pelo menos até há bem pouco tempo. A FAMÍLIA era (é), no campo, uma unidade económica praticamente auto-suficiente, em cuja base estava (está) a PROPRIEDADE e que se apoia na divisão sexual do TRABALHO e na DESCENDÊNCIA NUMEROSA.
Nos últimos séculos, com o advento do CAPITALISMO, resultado inequívoco da Revolução Industrial, a característica SENHORIAL manteve-se, mas o conceito começou a perder peso junto das CLASSES OPERÁRIAS, por duas ordens de razões. A primeira, porque ao CAPITAL é indiferente a origem do OPERÁRIADO, raciocinando como no tempo da escravatura. Aliás, quanto mais individualizado for o PROLETARIADO, mais fácil se torna a sua exploração. A segunda, porque o TRABALHADOR, inicialmente vivendo em extrema pobreza e nada tendo para deixar em herança, NÂO ASSUME AS RESPONSABILIDADES INERENTES À FAMÍLIA. Se vive em conjunto é, apenas, para poder satisfazer as suas necessidades de habitação, de alimentação e sexuais.
Do exposto se infere a ligação estreita entre a PROPRIEDADE e a FAMÍLIA. Esta relação foi muitíssimo bem apresentada por ENGELS no seu livro “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Baseando-se nos estudos de Morgan – que viveu décadas juntos de tribos iroquesas – Engels refere, entre outras coisas, a característica MATRIARCAL inicial das sociedades primitivas – onde prevaleceria a promiscuidade sexual – e a sua evolução para um estado PATRIARCAL, fruto da necessidade imperiosa DO PAI TER A CERTEZA DE QUE A SUA DESCENDÊNCIA É, DE FACTO, SUA, POR RAZÕES DE TRANSMISSÃO DA PROPRIEDADE. Daí, ao aparecimento da FAMÍLIA, foi um passo.
IV
Entretanto, há que ter em conta várias outras questões. A Dialéctica ensina-nos como se inter-relacionam as estruturas sociais. Sabemos que o pensamento influencia a actividade humana, a qual, por sua vez, influencia o pensamento dominante, indo este, de novo, agir sobre a actividade. E assim por diante. A Humanidade evolui nesta incessante dialéctica.
Saído embora, como atrás se disse, da necessidade de assegurar a transmissão da propriedade, o conceito de família criou, por razões dialécticas, outras raízes. Tornou-se CÉLULA PRIMEIRA DA SOCIEDADE, de forma a garantir a existência e a continuidade dessa mesma sociedade. A FAMÍLIA está na base da ECONOMIA, do TRABALHO, da DEFESA e da própria EXISTÊNCIA de uma sociedade. Esta, na sua essência, não passa de uma FAMÍLIA EXTENSA, até pela grande probabilidade de entroncarmos num conjunto muito reduzido de antepassados comuns.
O ser humano é, por natureza, gregário. Não sobrevive só e só superou a animalidade porque, entre outras causas, VIVIA EM SOCIEDADE. Dentro dessa pequena sociedade primitiva, o primeiro grupo com que se depara é a FAMILIA, à qual se encontra ligado, por laços de sangue. Mais tarde, pelo aumento progressivo do número de indivíduos, pela diversificação da actividade económica, pelo incremento da riqueza comunitária, surge a necessidade de agrupamentos de um novo tipo, todos eles tão naturais como a FAMÍLIA – FREGUESIAS, CONSELHOS, NAÇÂO. E, também, os SINDICATOS, resquícios das antigas corporações de artesãos.
São estes, queiramos ou não, os pilares da nossa sociedade. É dever do Estado cuidar, proteger e defender a FAMÍLIA, como primeiro passo para a sua própria defesa.
V
A PÁTRIA, enquanto grande comunidade humana, agregadora de seres que comungam a mesma histórica, língua, cultural e, geralmente, a mesma economia e território, só pode assentar a sua existência e a sua sobrevivência na NATURALIDADE das organizações humanas, das quais a primeira é a FAMÍLIA.
É à FAMÍLIA que cabe transmitir os Valores Civilizacionais, a Língua, a Cultura, a Tradição, a História de uma comunidade – por extensão, de uma PÁTRIA
VI
O Século XX trouxe-nos o Internacionalismo bem como a sua forma mais requintada do Internacionalismo Proletário. Defendem que somos todos filhos da mesma TERRA, e que as Pátrias já se não justificam. O Proletário, dizem, é um explorado do Capital e, tal como este, não tem Pátria. O momento actual da globalização económica, das comunicações – em que sobressai a Internet –, da mobilidade de pessoas e bens, parece dar razão aos defensores do Internacionalismo. Os valores que fizeram a Humanidade e a sua História são desprezados, vilipendiados, não são transmitidos às novas gerações, a quem, pelo contrário, se ensina o nihilismo, a descrença e o relativismo.
A realidade, contudo, é bem diferente. Pretende-se, isso sim, acabar com a nossa Civilização Europeia, essencialmente diversa em Povos e Pátrias, mas una em Valores, tais como Honra, Dignidade, Ética…Pretende-se acabar com a Moral Cristã, a qual, durante dois milénios, guiou os Povos Europeus na sua afirmação nacional – repare-se que poucas são as bandeiras europeias que não ostentam um qualquer símbolo cristão.
VII
Uma das estratégias utilizadas neste ataque à Civilização Europeia, passa pela destruição das FAMÍLIAS, como prenúncio da destruição das PÁTRIAS. Circunstâncias várias, sobretudo de carácter económico, fizeram surgir algumas formas novas de agregação de indivíduos. Apressaram-se, os inimigos da civilização, a considerá-las como famílias, dando-lhes nomes alternativos – uniões de facto, agregados familiares, famílias mono parentais, etc. – o que, de certo modo, permite a agregação, embora disfuncional dos indivíduos, ou até mesmo a sua não agregação – “famílias de um só indivíduo”. O indivíduo é, agora, considerado a célula base da sociedade.
Tais agregados NUNCA poderão ser uma FAMÍLIA. Pela simples razão de que NÂO CUMPREM A SUA FUNÇÃO DE CÉLULA SOCIAL, com as responsabilidades inerentes que acima se referiram. É erro semântico chamar à FAMÍLIA “família tradicional”, por oposição às “novas famílias”, porque NÃO HÁ NOVAS FAMÍLIAS. “Aquilo” não são famílias.
Actualmente, no início do Século XXI, os inimigos da civilização lutam, contando com o laxismo que um consumo de bens nunca antes imaginado impregnou no ser humano, lutam, dizíamos, no sentido de acabar com o CASAMENTO.
O CASAMENTO, instituição milenar, é, como se disse já, o acto constitutivo da FAMÍLIA. Pode dizer-se que, se o CASAMENTO ACABAR, ACABA-SE A FAMÍLIA. O Estado tem vindo, sob pressão de grupos e de modas internacionais, a equiparar à FAMÍLIA, quanto a direitos, os novos agregados, tornando, deste modo, o casamento inútil. Com efeito, para quê casar se os direitos não diferem? O número de casamentos baixa drasticamente. Ao mesmo tempo, aumenta o número de divórcios, estes bastante facilitados sob o aspecto processual. Pretendem-se os direitos, sem a assunção das respectivas responsabilidades e o Estado concorda. A FAMÍLIA, a pouco e pouco, vai desaparecendo. A PÁTRIA irá a seguir. Tudo com a bênção do Estado.
VIII
Para acabar com o casamento e, por extensão, com a FAMÍLIA, os grupos homossexuais vêm reivindicando…o casamento! Nalguns países, já o conseguiram, apesar de forte oposição – foi o caso de Espanha com manifestações gigantescas pró-família. Todavia, o governo socialista, mesmo assim, fez passar a lei que visou satisfazer, por um lado, o capricho de uns quantos pervertidos e, por outro, continuar a política de destruição sistemática dos Valores da nossa Civilização.
Não é possível deixar de se estranhar a circunstância dos grupos homossexuais reivindicarem o direito de se casarem, precisamente na altura em que esses e outros grupos do mesmo quadrante político-ideológico, reivindicam direitos para os novos tipos de uniões, afastando o CASAMENTO das suas opções. Aparentemente contraditórias estas duas atitudes, são, porém, unânimes na estratégia atrás descrita para a destruição da FAMÍLIA, DA PÁTRIA e da CIVILIZAÇÂO EUROPEIA.
Um “casal” homossexual não cumpre as condições que fazem da FAMÍLIA a CÉLULA PRIMEIRA duma SOCIEDADE, quanto mas não seja pela impossibilidade de procriarem (enquanto “casal”, entenda-se). Pode ser um conjunto de pessoas, mas nunca uma FAMÍLIA.
O “casamento” homossexual é, pois, mais um flagelo social dos tempos que correm.
IX
Outro flagelo é o problema do aborto. A questão é, geralmente, apresentada como resultante das condições sócio-económicas de quem a ele recorre. Umas vezes é uma hipotética pobreza, outras, a excessiva juventude da putativa mãe.
São falsos problemas. Não vão muitos anos em que a pobreza e, por vezes até a miséria, não impediam a existência de muitos filhos. Todos se criavam e muitos se transformaram em membros úteis à sociedade e alguns, até, foram notáveis. Quanto à idade, no tempo das nossas avós, era comum o sexo feminino casar muito jovem – 12 ou 13 anos – e a circunstância de serem mães muito cedo não era impeditiva de serem boas mães. Sobretudo porque se vivia em FAMÍLIA, onde a entreajuda característica resultava num aligeirar substancial do fardo da maternidade. Hoje em dia, as mulheres têm filhos cada vez mais tarde, com mais idade, o que, ao que parece, não é o mais saudável quer para as mães, quer para os filhos.
De qualquer forma, poucos são os motivos que justificam o eventual recurso ao aborto: malformação do feto, perigo de vida da mãe ou violação. Mesmo assim, há alguma relatividade nos dois primeiros, pois que o perigo de vida materno pode ser muito subjectivo e a malformação do feto tem, necessariamente, graduações que podem e devem ser ponderadas. Mesmo a violação, pode não justificar o aborto, deixando-se nascer a criança que poderia ser, imediatamente, entregue para adopção. E a mãe premiada pela coragem! De qualquer forma e com base nos motivos apontados, é aceitável a atitude.
Já não é aceitável o recurso ao aborto por razões de egoísmo do casal procriador, sejam elas quais forem. As pessoas, membros de uma sociedade, devem ser ensinadas a assumirem as suas responsabilidades, nem que seja pela força da Lei. A evolução de um País está, naturalmente, relacionada com a maturidade dos seus habitantes e não há maturidade sem assunção de responsabilidade.
Deve, entretanto, entender-se que a questão diz respeito ao casal procriador e não, apenas, à mãe. Depois, a FAMÍLIA – e eis aqui mais uma razão da sua existência – deve intervir e ajudar. O Estado deve considerar crime se esta falta de ajuda se não verificar. A seguir, a assistência da comunidade – Segurança Social – deveria ser prioritária, já que a procriação é uma atitude social a todos os títulos louvável, devendo ser objecto de atenção especial do Estado. Actualmente o Estado gasta com o aborto e não com os nascimentos.
X
É, pois, obrigação do Estado fomentar nascimentos para que, em última análise, a PÁTRIA não desapareça ou se abastarde com imigrações estranhas à nossa cultura.
As famílias numerosas devem ser apoiadas sem rodeios nem considerações economicistas. Os jovens casais devem ser incentivados a terem, pelo menos, dois filhos. E as mães trabalhadoras deverão ter um estatuto especial que lhes permita acompanhar, de forma muito estreita, o desenvolvimento e a educação dos seus filhos, ao menos nos primeiros anos.
Fomentar-se-á o casamento jovem. A nossa juventude deve casar com a consciência do alto valor que é a FAMÍLIA, a fim de a resguardar de tudo quanto a ataca e pretende destruir. As crianças devem ser educadas nestes valores e isso deve ser incentivado pelos poderes públicos. A disciplina mais importante da formação académica ou profissional de um estudante deveria chamar-se EDUCAÇÂO CÍVICA e ser transmissora dos Valores Eternos que estão na génese da nossa Civilização.
