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Entre 1961 e 1974 foram mobilizados, para combater no Ultramar Português, cerca de 900.000 homens, segundo a informação mais ou menos fidedigna da nossa imprensa.

Também, segundo a imprensa, em 2004 cerca de 450.000 pedidos de complemento de reforma e de contagem extraordinária de tempo de serviço, haviam sido considerados. Isto é, apenas metade da população mobilizada. O complemento de pensão, calculado tendo em conta o salário mínimo, considerou a actividade em zona de risco para a sua concessão, pelo que um militar com uma única comissão, como era a generalidade do povo mobilizado, poderá ter recebido, em média, entre € 100,00 a € 120,00, em Setembro de 2004.

Mas o mais surpreendente foi a não inscrição da verba necessária para o pagamento deste complemento, no OE para 2005, o que teve como consequência o mesmo não ser pago. Tal como sucede em 2006 e, quem sabe, daqui por diante! Os nossos governantes têm em tão pouca conta os ex-combatentes do Ultramar que nem aquela miséria querem pagar-lhes!

Dulce et decorum est pro patria mori

A exortação de Horácio, é uma bela frase. Tão bela que muitas vezes tem servido de adorno a eloquentíssimos discursos e interessantíssimos sermões. E de lema à nossa Academia Militar. Todavia, o que ela implica tem pouco de belo. Morrer pela Pátria não tem nada de doce e, muitas vezes, tem pouco de honroso. Pelo menos Honra reconhecida.

E sobreviver pela Pátria?

As gerações de jovens que foram chamados às armas defenderam, com maior ou menor entusiasmo, mas sempre com o risco da própria vida, o que, então, era considerado a sua Pátria: uma vasta Nação Pluricontinental e Multirracial. Muitos deram a vida por Ela. Muitos mais regressaram, vivos embora, mas indelevelmente marcados, física e psicologicamente.

Haverá bem mais valioso do que a vida? Ao Soldado não se pergunta se quer cumprir o seu Dever, que é Servir. O Soldado, simplesmente, cumpre-o. E porque o cumpre sem perguntar porquê, a Pátria deve-lhe Reconhecimento. A Pátria deve honrá-lo sobre tudo o mais. Mas que honra há no desprezo a que o combatente tem sido votado?

O Portugal de hoje honra pouco os seus Heróis. Não quer saber deles. Desconhece-os. Ou, se os conhece, faz por esquecê-los. O amor da Pátria resume-se ao desfraldar duns cachecóis em jogos de futebol.

O contributo do Soldado é a sua própria vida. Contribui para a sua Pátria com o “desconto” mais elevado. E a sua reforma é a mais miserável de todas. E que, até, lhe acabou por ser tirada. Governo que assim procede, não merece consideração nem respeito.

Dê-se ao ex-combatente algo de digno e honroso. Que, mesmo assim, não paga o seu crédito de sangue. Se a vida é o bem mais precioso, a compensação deve ter igual dimensão. Recusamos ser geração vituperada, esquecida e desprezada. Recusamos esmolas.