Não queremos arvorar-nos em paladinos na defesa da moral e dos bons costumes ou simplesmente da verdade.

Não temos igualmente em mente punir com penas de prisão as mães que abortam, pois o remorso e o arrependimento encarregar-se-ão de as castigar mais do que uma condenação judicial a pena suspensa. Exigimos sim a condenação dos agentes do acto e que com ele lucram.
Se é um facto que mesmo ilegal o aborto continuará a ocorrer, também é um facto que mesmo proibidos existem a pedofilia, o consumo de drogas, o incesto, as violações sexuais, o trabalho infantil e para já ninguém pensa em legalizar “estas actividades” para que elas ocorram em “ambiente seguro”. Em todas estas situações a lei pune o agente e nunca a vítima.
Mas são demasiados os paradoxos que marcam o pensamento da sociedade “dita” moderna.

Por um lado condena-se com veemência a pena de morte, mesmo para os casos em que não há margem para o erro judicial. Por outro, defende-se o aborto, que é a pena de morte do ser humano no seu estado mais inocente possível, com base em pressupostos subjectivos que todos já ouvimos enumerar até a exaustão.
A actual lei contempla os três casos objectivos, em que o valor da vida do feto pode ser posto em causa, e ainda um quarto, o caso das sequelas psíquicas graves para a mãe, que importa aplicar com rigor, pois não se sabe se serão maiores no caso de abortar se no caso de não abortar.
Quanto ao facto de se apontar para a despenalização até às 10 semanas, é apenas um exercício de matemática. A discussão sobre o momento em que o feto se torna um ser humano não tem qualquer razão de ser. A verdade é que a partir do momento em que o espermatozóide fertiliza o óvulo e os cromossomas dos progenitores se juntam está constituída a matriz que vai desenvolver-se até se transformar numa criança. A partir desse momento já existe toda a informação genética e mãe e útero vão alimentando o feto até ao nascimento.
Outro paradoxo é o facto de por um lado a ciência nos mostrar com cada vez mais evidência que há vida e como ela se desenvolve a partir do momento da concepção, e por outro lado, haver pessoas que perderam a capacidade de se emocionar com as imagens que nos chegam, em nome de um egoísmo que as leva a abstrair-se de sentimentos e a pôr em primeiro lugar razões de ordem material.

Em relação aos profissionais da área da Medicina, consideramos eticamente condenável que participem na campanha a favor do aborto. Ao fim e ao cabo não sabemos quantos deles irão beneficiar financeiramente com uma eventual vitória do Sim. Espero que neste caso, esses médicos e enfermeiros tenham a decência e o pudor suficientes para praticar gratuitamente os abortos.
Quanto ao facto de a legalização do aborto se ter reflectido numa diminuição do número de IVGs noutros países, não é inteiramente verdade.
Na Europa Ocidental aborto baixou apenas na Itália cerca de 10% em 10 anos e nos países da antiga Europa de Leste também diminuiu. Na grande maioria dos países europeus, Dinamarca, França, Finlândia, Noruega, Grécia, Escócia, Suécia e Suíça, os valores mantiveram-se com pequenas variações e houve subidas muito acentuadas na Bélgica, Inglaterra, Holanda e Espanha.
Infelizmente esta questão já se pôs na maior parte dos países da Europa e do Ocidente e a visão materialista prevaleceu, resultando num verdadeiro genocídio de bebés, causando mais vítimas que as 2 Guerras Mundiais.
Numa altura em que se fala do envelhecimento da população europeia, lembramos aqui que nos últimos 20 anos foram abortadas mais de 120 milhões de bebés, dos quais mais de 100 milhões nos países de Leste Europeu.
Quanto à Europa Ocidental, bastava que metade dos quase 20 milhões de abortos tivessem sido evitados, para que a Europa estivesse demograficamente equilibrada.
