Embora este não seja um tema prioritário no actual momento político, o facto de estarmos a celebrar neste ano o centenário do regicídio e dentro de dois anos a implantação da república, leva-nos a perguntarmos-nos que vantagens trouxe a república a Portugal e aos países que optaram por esse tipo de regime institucional: nenhumas.Senão vejamos: são monarquias países como a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, que encabeçam a lista dos países mais prósperos na Europa, e mesmo fora dela, a Nova Zelândia, Austrália e Canadá são súbditos de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra. Mas também países prósperos como a Finlândia, a Áustria, a Suíça, a Islândia e a Alemanha são repúblicas.Ficam portanto para a opção por um dos sistemas dois tipos de razões: as emocionais e as económicas.Emocionalmente, e afirmo-o como opinião pessoal, a Monarquia é o regime institucional mais natural, mais instintivo nos povos, e os seus detractores evocam sempre a possibilidade de o monarca não possuir as qualidades necessárias para cumprir a sua missão. Existem sempre soluções institucionais para contornar estas situações, que já surgiram no passado.De qualquer modo, penso que alguém que é educado desde muito cedo para servir a Nação como monarca, o fará com mais isenção e tranquilidade do que um político que faz o seu caminho a pulso até atingir o topo da hierarquia e que nesse percurso irá sempre criando relações de gratidão ou de dependência, impeditivas de uma postura verdadeiramente independente.
E incrivelmente a queda da monarquia iniciou-se com o assassinato ignominioso de um dos mais completos monarcas que Portugal teve: prestigiado a nível internacional, D. Carlos possuía profundos conhecimentos científicos nas áreas da Oceanografia e da Ornitologia e a sua sensibilidade artística produziu pinturas e desenhos de excelente qualidade. Foi um rei interventivo pela positiva, e lançou as bases de uma verdadeira democracia institucional, não perseguindo os seus inimigos políticos.
O seu assassínio deveu-se unicamente ao ódio irracional instigado pela maçonaria numa franja política marginal da sociedade, que embora pequena estava organizada e soube aproveitar a instabilidade gerada pelo regicídio para crescer durante o curto reinado de D. Manuel II, um rei justo e bom, mas fraco gestor de conflitos e presa fácil para os republicanos.E diga-se em abono da verdade, qualquer monarca será capaz de desempenhar o papel hoje atribuído ao presidente da república, com a vantagem de ser independente relativamente ao leque partidário, portanto mais isento.Claro que uma alteração de regime teria que partir de uma vaga de fundo de base popular, que levasse uma petição à Assembleia da República, que numa monarquia seria denominada simplesmente como Parlamento ou Assembleia Nacional.Em termos financeiros está fora de questão, é evidente, uma monarquia “à inglesa”, cujos gastos sumptuários seriam incomportáveis e inaceitáveis, mas sim uma monarquia discreta como sucede aqui ao lado, em Espanha ou nos outros países atrás mencionados.Pensamos que entre os custos de uma república, com as suas eleições presidenciais, com as mordomias vitalícias dos ex-presidentes e as despesas correntes do exercício da Presidência e do seu séquito ou uma monarquia discreta, a monarquia poderá ser menos onerosa para as contas do Estado.Não poderíamos deixar de referir a triste figura e a pequenez do ministro da defesa e deste governo de inspiração maçónico-republicana ao proibir a fanfarra do Exército de participar na homenagem a D.Carlos.Esquecem-se que as Forças Armadas não existem para defender a república mas sim a Nação e para todos os efeitos D.Carlos foi Chefe de Estado de Portugal, e nunca as correntes de opinião pró-monárquicas defenderam posições antidemocráticas, pelo que não se justifica a falta de “fair-play” de Nuno Severiano Teixeira.
Carlos Branco
