O texto que se reproduz a seguir foi-me enviado por um professor e tudo que nele se diz é verdadeiro e sentido. Durante os 10 anos em que estive ligado ao movimento associativo de Pais pude comprová-lo, assim como pude comprovar a perda da dinâmica reivindicativa da CONFAP quando esta caiu na esfera e nos interesses do Poder instituído, deixando caminho livre à tirania do Sistema.
Carlos Branco

Eis um espaço que o Movimento Pró-Pátria me disponibilizou, para livremente expressar a minha opinião acerca do estado da Educação em Portugal. Livremente, ao contrário do que hoje sucede nas Escolas e nas ruas, quando um professor se tenta exprimir.

De facto, desde as gentis visitas da PSP às escolas, a identificação de muitos companheiros na rua ao efectuarem as vigílias, a retenção de vinte e um autocarros na A1, quando rumavam para a “Marcha da Indignação” em Lisboa, passando pelas pressões quotidianas exercidas nos locais de trabalho até ao dia de hoje -08/Março/2008-de tudo um pouco aconteceu. E vai acontecer…

Talvez, tudo comece por uma atitude de quem nos governa, e recordo que governar é procurar o bem comum da “res publica”. Claramente, desde a fundação da nacionalidade já tivemos governos bons, assim-assim e maus. Houve combates ideológicos, houve actos heróicos e actos cobardes. Porém, creio ou induziram-me a crer, que hoje pela primeira vez se governa por e com ódio aos cidadãos. Principalmente, se o cidadão deste país for honesto, cumpridor, activo, produtivo e estupidamente pacífico.

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Está confirmado, facto que nunca pensámos que acontecesse, que cem mil professores - 100.000 - numa classe de cento e quarenta mil, marcharam em Lisboa. Todos comunistas? Todos atrasados mentais ou doidinhos? Bando de irresponsáveis? Sinceramente e apesar da campanha difamatória junto do povo, os professores não são nenhuns canastrões. São cidadãos como os outros, normais, pais e mães. Gente vulgar, ao contrário dos protegidos pelo novo Código Penal.

Mas alguém tem ainda alguma dúvida, que o sistema de ensino público se não desabou de vez, é porque está seguro por fios pelos professores, autênticos missionários numa profissão cada vez mais ingrata? Gestão Escolar com professores subalternizados, Estatuto do Aluno [lei nº3/2008] que apontam vias nada recomendáveis, para quem deseja uma juventude sã e impregnada de valores, responsável pelos destinos do país a curto prazo.

Finalmente o Decreto Regulamentar 2/2008, sobre a avaliação. O mesmo que foi rejeitado profundamente pelos professores, o decreto, não a avaliação que sempre se fez! Muito já se disse sobre este tema, incluindo pessoas doutas, mesmo da área socialista. Mas gostaria de recordar que se há alguém treinado para avaliar, está na Inspecção-Geral de Educação. Sempre fui avaliado, corrigido, aperfeiçoado, ensinado, ajudado e incentivado por excelentes homens e mulheres da IGE. E muito aprendi com eles; grandes mestres a quem reconheço capacidade e honestidade para fazerem um trabalho bem feito! No entanto, foram postos de lado, de forma inacreditável. Quando tudo deveria passar por estes verdadeiros profissionais. A IGE, através de um dos seus membros, afirmou que esta avaliação era impossível de levar à prática e estava malfeita.

A violência escolar campeia por aí, sem rei nem roque. O único cidadão e com peso institucional que alertou e tomou medidas (não, não foi a srª ministra…) foi o actual Procurador-Geral da República, Dr. Fernando José Matos Pinto Monteiro. Outras matérias graves decorrem e ocorrem no quotidiano das escolas!

A tudo a sra ministra disse: -Perdi os professores, ganhei o país! Não creio! Perdeu os professores, já perdeu o país. O trágico, perderam os meus alunos a quem amo como filhos da minha carne, ossos dos meus ossos! E os pais são testemunhas. É só perguntar…!

J.M. - um dos 140.000 “professorzecos” de Portugal (Maria de Lurdes Rodrigues dixit)