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 Carlos Branco

Porque fundámos o Movimento pró-Pátria

O que nos move efectivamente no MPP é a vontade de devolver a Portugal e aos Portugueses a dignidade de outros tempos, mas vivida numa Era de Modernidade equilibrada.

Estão infelizmente associados à ideia de progresso vários conceitos que são bandeiras da Esquerda e que nos habituámos a associar ao “campo de errado”, como a liberdade para consumir drogas, o aborto livre, opções sexuais “alternativas”, o desprezo pela nacionalidade, e tantos outros, que não passam afinal de comportamentos anarquizantes e que se destinam a fragilizar e fracturar a sociedade Europeia de modo a torná-la permeável à influência de culturas alienígenas, sob o pretexto de as respeitar, com o recuo evidente das nossas.

Hoje há a tendência de colar qualquer Movimento, Associação ou Partido ao conhecido leque, que varia da extrema-esquerda à extrema-direita, passando pelos moderados e pelo centro.

Na verdade temos dificuldade em nos situar, pois defendemos conceitos e direitos de que se apoderaram como seus, esquerdistas, direitistas e outros.

Quando falamos na Nação, na Bandeira, no esplendor e prestígio do Portugal de outros tempos, quando combatemos o aborto livre, o lóbi homossexual, quando exigimos penas efectivas e mais pesadas para os criminosos e uma Polícia actuante e com autoridade, quando rejeitamos a invasão imigrante que nos está a imergir num caldo indefinido de culturas a que chamam multiculturalidade, quando defendemos critérios rigorosos na atribuição da Nacionalidade, nomeadamente não abdicando do Direito de Sangue, o jus sanguinis, somos conotados com a Direita.

No entanto na área social e laboral, pensamos que só o Estado pode fornecer certo tipo de produtos e serviços sem fins lucrativos de modo que estejam ao alcance de todos os cidadãos. Estamos a referir-nos especialmente à prestação de cuidados de Saúde, ao Ensino, à produção e distribuição de Energia, à Água de consumo doméstico. Aí, partilhamos ideias de que se apoderou a Esquerda. Quando nos revoltamos contra a prepotência de algum patronato e das multinacionais sobre os trabalhadores, quando consideramos perigosa a globalização com as deslocalizações sem controlo de empresas e a desumanização do mercado de trabalho, tomamos posições que se confundem com a Esquerda.

Mas a verdade é que o próprio discurso de Esquerda cai em contradição, tal como o da Direita, de modo que temos as nossas próprias posições.

A Esquerda, pretensamente defende os trabalhadores e os desfavorecidos. No entanto defende também a entrada livre de imigrantes, que vêm saturar o mercado de trabalho, gerando desemprego e tirando aos trabalhadores capacidade negocial.

A Direita, pretensamente é Patriótica e defende a Família.

Mas como é possível ser Patriótico, quando o deus cifrão fala mais alto e as confederações patronais recebem os imigrantes de braços abertos, pois a excessiva oferta de mão-de-obra faz baixar o custo do Trabalho.

Como é possível a Direita dizer que defende a Família, se os seus empresários não abdicam dos contratos a prazo que não renovam se as mulheres engravidam ou simplesmente não as admitem por causa desse risco. Como é possível a Direita defender a Família, se os empresários exigem mobilidade dos trabalhadores por todo o território nacional, o que leva à ruptura nos lares, pois raramente o cônjuge está disponível para mudar de residência sob a pena de perder o emprego.

Temos consciência de que como movimento de carácter cívico a nossa voz não terá para já grande influência no estado na Nação, mas essa mesma consciência não nos deixa ficar indiferentes ao descalabro em que Portugal e a Europa estão a cair.

A nossa luta será no sentido de que haja um equilíbrio entre um Estado forte, responsável e actuante, rigoroso na despesa pública e na gestão dos recursos humanos, e uma iniciativa privada centrada em empresários criativos, de sucesso, que não percam de vista a função social das empresas.

E esta atitude por parte dos empresários é possível, pois muitos já o fazem em Portugal e na União Europeia.

Carlos Branco - Presidente